Os mais antigos centros de umbanda do Distrito Federal surgiram em 1958, dois anos antes da inauguração oficial de Brasília. O Mestre João Laus (já falecido) abriu sua tenda no Plano Piloto, na W3 Sul; o Babá Sebastião Calazans (que também morreu) fundou seu centro em terreno doado por Juscelino Kubitscheck, numa área hoje compreendida na cidade satélite de Ceilândia. De acordo com o atual Presidente da Federação Brasiliense de Candomblé e Umbanda, Babalaô José Paiva de Oliveira, dos 2.563 centros de culto afiliados a esta entidade, cerca de dois mil são de umbanda. Na década de 70, quando realizei minhas primeiras pesquisas sobre o assunto, a umbanda já era a religião mais florescente no Distrito Federal, mas não muito estudada na Novacap. >>> Leia mais, clique aqui.
Resumo: As matrizes africanas que contribuíram para moldar a cultura e a música brasileira são aqui examinadas. Das congadas ao samba, passando pelos afoxés e blocos afro, a presença de elementos musicais e religiosos provenientes da África é marcante na nossa história, como ainda hoje se evidencia nas escolas de samba e nos sambas-enredo. Mas atualmente se constata também uma progressiva desafricanização da música popular brasileira, o que aponta para o fenômeno da globalização do gosto.
Em um estudo sobre a terapia mediúnica praticada no Rio de Janeiro na virada do século, Donald Warren fazia menção a uma persistência de longa de duração que se afirmava nos significados secularmente compartilhados pela população brasileira. Tratava-se da manutenção de um cotidiano impregnado de sentido mágico, da familiaridade com o mundo dos espíritos e com toda uma gama de manifestações típicas da crença na atuação de "entidades rarefeitas”. Ao meio marcado por tal imaginário, onde o sobrenatural impunha-se como recorrente e no qual espíritos, encantados e orixás povoavam as tramas humanas, o autor referia-se como''espiritualista reflexo". É, justamente, inserida na partilha desses significados, em um meio urbano que se afirmava e frente a um mercado religioso que ganhava em complexidade, que a Umbanda vai adquirir visibilidade no Brasil da primeira metade do século XX. A emergência da Umbanda revelava uma religião em torno da qual persistiam uma série de significações capazes de remetê-la ao submundo, à marginalidade c à sobrevivência de valores atávicos, denunciadoras do atraso e da ignorância. É nesse contexto que surge a obra dos intelectuais da nova religião, inseridos em um esforço visando ao reconhecimento social e à ruptura com significações capazes de enxergar na invocação dos espíritos uma incómoda familiaridade com a transgressão. >>> Leia mais, clique aqui.
Resumo: O presente trabalho tem como objetivo a caracterização dos Exus e Pombas-Giras, através dos pontos cantados da Umbanda, considerando aspectos que remetem a uma configuração mais ampla de componentes do imaginário social brasileiro. Foram submetidas à Análise de conteúdo 221 letras de pontos de Exu e Pomba-Gira. Os pontos de Exu contêm maior freqüência de menções relacionadas à descrição de poder e funções atribuídas a essa entidade (31,6 po cento das respostas) e à sua identificação e saudação (22,4 por cento). Os pontos de Pomba-Gira apresentam mais freqüentemente a descrição de poder/funções atribuídas (30,23 por cento das respostas) e a caracterização da entidade (30,23 por cento). Os resultados possibilitam relacioar as características das entidades aos papéis socialmente esperados de homens e mulheres. Exu é representado pela liberdade, força e principalmente, pelo trabalho. Pomba-Gira é representada através de atributos considerados típicos do sexo feminino, como beleza e sensualidade, e também pelo trabalho. Os dados remetem a uma análise que procura a articulação entre fatores raciais e de classe social presentes na sociedade brasileira e as características definidoras das entidade, identificadas nos pontos.
Mario Teixeira de Sá Júnior (Doutorando em História na UNESP/ASSIS)
RESUMO: Este artigo procura examinar a relação entre os novos personagens surgidos no panteão umbandista - baianos e malandros - com as transformações pelas quais passou a sociedade brasileira ao longo das décadas de 1930 a 1960 e, em especial, percebendo as especificidades dessas transformações nas cidades de Dourados (MS) e Rio de Janeiro (RJ).
Dizem que Religião e Futebol não se discute. Será? Em tempos de Copa do Mundo tudo o que diz respeito a futebol é destaque, notícia e discussão. E quando a notícia mistura futebol com Religião?
Um episódio envolvendo os badalados jogadores do Santos aconteceu há algumas semanas e chamou a atenção de todos.
Os craques santistas fizeram uma visita a uma entidade chamada Lar Espírita Mensageiros da Luz, que cuida de crianças com paralisia cerebral. O objetivo era entregar ovos de Páscoa e passar algum tempo com as crianças. Mas, alguns dos atletas, entre eles, Robinho, Neymar, Ganso e Fabio Costa, se recusaram a entrar na entidade e ficaram dentro do ônibus do clube, sob a alegação de que são evangélicos e a entidade era espírita.
Sobre o fato, Ed René Kivitz, cristão, pastor evangélico e santista desde pequenininho, fez a seguinte reflexão:
“Os meninos da Vila pisaram na bola. Mas prefiro sair em sua defesa. Eles não erraram sozinhos. Fizeram a cabeça deles. Aliás, o mundo religioso é mestre em fazer a cabeça dos outros. Por isso, cada vez mais me convenço que o Cristianismo implica a superação da religião, e cada vez mais me dedico a pensar nas categorias da espiritualidade, em detrimento das categorias da religião.
A religião está baseada em ritos, dogmas e credos, tabus e códigos morais de cada tradição de fé. A espiritualidade está fundamentada nos conteúdos universais de todas e de cada uma das tradições de fé.
Quando você começa a discutir quem vai para céu e quem vai para o inferno, ou se Deus é a favor ou contra a prática do homossexualismo, ou mesmo se você tem que subir uma escada de joelhos ou dar o dízimo na igreja para alcançar os favores de Deus, você está discutindo religião.
Quando você começa a discutir se o correto é a reencarnação ou a ressurreição, a teoria de Darwin ou a narrativa do Gênesis, e se o livro certo é a Bíblia ou o Corão, você está discutindo religião.
Quando você fica perguntando se a instituição social é espírita kardecista, evangélica, ou católica, para decidir se deve ou não entrar nela, você está discutindo religião.
O problema é que toda vez que você discute religião você afasta as pessoas umas das outras, promove o sectarismo e a intolerância. A religião coloca de um lado os adoradores de Allá, de outro os adoradores de Javé, e de outro os adoradores de Jesus. Isso sem falar nos adoradores de Shiva, de Krishna, os devotos do Buda, e por aí vai. E cada grupo de adoradores deseja a extinção dos que pensam e crêem de forma diferente, ou pela conversão à sua religião, o que faz com que os diferentes deixem de existir, pois se tornam iguais a nós, ou pelo extermínio puro e simples, como já aconteceu e ainda acontece ao longo da História, através de assassinatos em nome de Deus, ou melhor, em nome de um deus, com “d” minúsculo, isto é, um ídolo que pretende se passar por Deus.
Mas quando você concentra sua atenção e ação em valores como reconciliação, perdão, misericórdia, compaixão, solidariedade, amor e caridade, você está no horizonte da espiritualidade que é comum a todas as tradições religiosas. E quando você está com o coração cheio de espiritualidade, e não de religião, você promove a justiça e a paz.
Os valores espirituais agregam pessoas, aproximam os diferentes, fazem com que os discordantes no mundo das crenças se dêem as mãos no mundo da solidariedade, na busca de superação do sofrimento humano, que a todos nós humilha e iguala, independentemente de raça, gênero e, inclusive, religião.
Em síntese, quando você vive no mundo da religião, você fica no ônibus. Quando você vive no mundo da espiritualidade que a sua religião ensina – ou pelo menos deveria ensinar, você desce do ônibus e dá um ovo de páscoa recheado de carinho, afeto e alegria para uma criança que sofreu a tragédia de uma paralisia cerebral.”
Universidade Federal da Paraíba, Graduanda em Ciências Sociais (2008)
O universo religioso afro-brasileiro é, ainda hoje, pouco conhecido pela maior parte das pessoas. Apesar disso, o imaginário que cerca o assunto é bastante controverso. O que percebemos na cidade de João Pessoa corresponde a essa constatação. Apesar da temática ser muito instigante, poucas são as pesquisas que envolvem as religiões como o candomblé e a umbanda. Em função disso, pouco se sabe sobre essas religiões na capital paraibana. Nosso interesse nesta pesquisa parte desse ponto. Não sabemos informações básicas, como por exemplo, quantos terreiros há na cidade, quando eles começaram a surgir, quais as denominações religiosas existentes, quem são os pais e mães de santo e adeptos, como eles(elas) encaram o preconceito que, de fato, ainda é muito forte, as relações entre terreiro e sociedade, entre outras coisas.
A idéia inicial é fazer um mapeamento, descobrindo quantos terreiros há na cidade e como estão espacialmente distribuídos (assim confirmaremos ou não a concepção existente de que os terreiros prevalecem em bairros marginais). Posteriormente, montar um perfil dos terreiros, capturando informações gerais dos mesmos, para catálogo, e montar também um perfil dos sacerdotes e sacerdotisas dos terreiros, capturando informações como sexo (para também confirmar ou não a idéia de que as religiões afro-brasileiras são predominantemente femininas), média de idade, escolaridade, profissão, quanto tempo tem “no santo”, etc.
Exu é o primeiro orixá a ser louvado nas tradições afro-descendentes, pois é o princípio do movimento, e está relacionado a todas as fomes humanas, impulsionando os homens em direção a seus objetivos: comida, felicidade, sexualidade... e poder. Conta uma de suas lendas, que Exu pediu a sua mãe um animal doméstico para comer, e Oxum consentiu. Como sua fome não passou, comeu tudo o que havia: pastos, árvores, animais, e o mar. Quando ia comer o céu, Orunmyilá, orixá supremo da sabedoria que transmite os ensinamentos aos homens através dos jogos de Ifá, ordenou que ogum parasse o irmão a qualquer custo. Ogum então, foi obrigado a matá-lo para preservar a terra e os seres humanos, assim a paz voltou a reinar. O que havia sobrado foi dizimado pelas pestes. Ao consultar Opelé ifá, um colar de leitura do destino, um sacerdote de Ifá ficou sabendo que Exu continuava com fome, e desejava ser saciado, caso contrário continuaria a provocar pestes e discórdias como vingança pelo que fizeram Ogum e Orunmyilá. Então, Orunmyilá ordenou que daquele dia em diante, sempre que um orixá recebesse uma oferenda, Exu receberia uma homenagem, para que ficasse satisfeito. >>> Leia mais, clique aqui.
Lísias Nogueira Negrão:Umbanda: entre a cruz e a encruzilhada: O artigo considera a umbanda, religião afro-brasileira de constituição recente, como estando dividida entre os apelos de suas raízes negras e os atrativos legitimadores da adoção dos princípios éticos cristãos. Embora pouco racionalizada e postulando uma visão de mundo predominantemente encantada, vem crescentemente moralizando-se a partir, sobretudo, das influências do ideal kardecista da caridade. Tal incorporação não é, contudo, linear, mas reinterpretada a partir da vivência concreta de seus agentes e moderada pela necessidade da cobrança por serviços religiosos prestados e pela "demanda", concepção mágica de conflito inter-individual. >>> Leia mais, clique aqui.