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domingo, 23 de maio de 2010

Festa cigana: festa de um povo

O Globo / Extra / Ilha

Domingo, 23 de maio de 2010, pp. 1, 6-7.

Festa Cigana


Comunidade que vive no bairro [Ilha do Governador] organiza no próximo sábado [29 de maio], o III Encontro Kalon Latatcho, para divulgar sua cultura.



Festa de um povo

Comunidade cigana que vive na Ilha realiza encontro para contar histórias e mostrar sua cultura


Patricia de Paula

patricia.paula@oglobo.com.br;
patricia.paula@extra.inf.br


Eles têm emprego fixo, 13º salário e direito a férias. Não moram propriamente em tendas, mas em casas espalhadas pela Ilha e trabalham nas profissões mais normais do mundo. São professores, vendedores, policiais... E, acima de tudo, são ciganos. Mesmo levando uma vida de gente como a gente, o sangue que corre forte nas veias não os deixa jamais esquecer as tradições e a cultura que sempre despertaram a atenção e o fascínio das pessoas. Para estreitar ainda mais os laços com os insulanos, levando um pouco de sua história para todos, a comunidade da Ilha — formada por cerca de 300 ciganos — vai realizar o III Encontro Kalon Latatchos, no dia 29. A data não foi escolhida ao acaso. É no mês de maio que se comemora o Dia do Cigano, instituído pelo governo Lula em 2006. A data é dedicada à padroeira, Santa Sara Kali.


Para o cigano Áureo Ramos, professor e historiador, a interação entre todos é importante para desmitificar certos preconceitos que se formaram sobre o povo ao longo dos séculos.


— Sempre fomos muito perseguidos.


Diziam que éramos filhos de Caim, só para se ter uma ideia. Muitas pessoas confundem com religião também. Além da fama de sermos ladrões de criancinhas. Para que vamos roubar se sabemos fazer, não é mesmo? — questiona Ramos, que é da etnia Kalon.


Ele conta que há ciganos que negam suas origens, com medo de serem perseguidos: — Meu pai era assim. Ele fugiu da Argentina para o Brasil e não permitia que seguíssemos as nossas tradições. Minha avó, que nunca renegou suas raízes, passava-me tudo escondido. Quando eu fiz 10 anos, ela morreu. E meu sangue cigano começou a gritar forte.


Ramos afirma que as novelas ajudaram a diminuir as perseguições, que ainda acontecem no interior de Sergipe e Minas Gerais, por exemplo. Segundo ele, há cerca de seis mil acampamentos ciganos no Brasil, sendo 15 no Rio.


— Hoje, os maiores problemas que o nosso povo enfrenta são o analfabetismo e a falta de documentação — diz ele, que participa do Movimento de Valorização pelos Direitos Ciganos.


A kalin — como é chamada a cigana da etnia Kalon — Morgana Nunes, de 37 anos, vive nas Pitangueiras com a família.


Ela é uma cigana dos pés à cabeça, com direito a roupas esvoaçantes e coloridas, dente de ouro e tudo.

— Eu dou aula de dança cigana, leio mão, jogo cartas e vejo o futuro na borra de café. Na nossa cultura, o dinheiro que vem da mulher é abençoado e traz prosperidade.


Morgana e o marido, Yuri, são pais de Wladimir e Pablo, de 12 e 11 anos, que já estão prometidos para suas noivas.


— Faz parte de nossa tradição, assim como a mulher se casar virgem. É o sinal da honra da família — conta Yuri, lembrando que, quando acontece um casamento, são sete dias de festa.


Morgana diz que ela e sua família são seminômades, ou seja, costumam ficar mais tempo nos lugares.

— Mas temos nossas tendas e, quando o sangue fala mais alto, pegamos tudo e vamos para o acampamento, onde ficamos seis meses — conta ela, que trabalha duro pela inclusão dos ciganos e ganhou um prêmio do Ministério da Cultura por estimular as crianças a frequentarem a escola: — Sei que é só um grãozinho de areia, mas já é alguma coisa.


O III Encontro Kalon Latatcho está aberto a todos e acontece no próximo sábado, às 13h, no auditório da Biblioteca Municipal Euclides da Cunha (Praça Danaides s/no Cocotá). A entrada é um quilo de alimento não perecível, que será doado para a comunidade cigana de Tanguá.


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